Considerado essencial em
um país de dimensões
gigantescas como o
Brasil, o transporte ferroviário é
apontado como alternativa altamente
competitiva para a movimentação
de grandes volumes de cargas em
grandes distâncias. O processo de
desestatização ocorrido a partir de
1996 representou um marco na superação
dos problemas com resultados
positivos para o crescimento do País.
O setor considera, porém, que os
investimentos não podem parar e é
preciso aprimorar a infra-estrutura
logística brasileira para ampliar o
volume de carga transportada, gerar
mais empregos e divisas para o
Brasil.
Levantamento realizado pela
Associação Nacional dos Transportadores
Ferroviários (ANTF) mostra
que as concessionárias já investiram
mais de R$ 4 bilhões na recuperação
dos principais trechos da malha
ferroviária. No entanto, é necessário
um volume ainda maior de recursos
para superar os gargalos. A participação
das ferrovias na matriz de
transportes do Brasil, que era de
19% em 1999, saltou para 25% em
2005 e pode chegar a 30% até 2008.
Mesmo assim, o Brasil ainda vai estar
abaixo da média internacional que é
de uma presença de 42% do modal
ferroviário.
Em entrevista reproduzida pela
ANTF, Robert McIntire, um dos maiores
consultores mundiais do setor,
comenta que falta para o modal ferroviário
brasileiro mais investimento em
tecnologia para poder se desenvolver.
Atualmente, os Estados Unidos transportam
mais de 43% das cargas por
ferrovias, 32% por rodovias e 25%
no modal marítimo. No Brasil, ocorre
totalmente o oposto. São 25% de
mercadorias diversas transportadas
por ferrovias, 61% por rodovias e
14% no segmento marítimo.
Diferencial competitivo em um
mundo globalizado, a logística é uma
ferramenta que ainda precisa de
ajustes no Brasil. Em torno de 85%
da carga transportada por ferrovias
está vinculada à exportação, o que
corresponde a cerca de 300 milhões
de toneladas de produtos movimentadas
por ano. Para fazer frente ao
aumento de demanda, as concessionárias
estão ampliando sua frota e
as encomendas reativam a indústria
nacional de equipamentos ferroviários.
Apenas no ano passado, foram
adquiridas 104 locomotivas e 4.951
novos vagões.
A Randon está produzindo 240
vagões ferroviários completos, do
tipo hopper HFE para a América
Latina Logística (ALL) em parceria
com a MRC Equipamentos Ferroviários
América Latina Ltda, empresa
japonesa do grupo Mitsui & Co. Ltd.,
a serem produzidos e entregues
durante este ano. O Brasil é apontado
como um dos poucos países
com potencial de expansão da sua
malha ferroviária. Em 2004, foram
movimentados 212,7 bilhões de
tku, representando um crescimento
de 14,7%, bem acima da expansão
de 9,8% registrada pelo transporte
geral de cargas no Brasil.