autopeças
     
  Pesquisa mostra que empresas investem
R$ 3,0 bilhões em 12 meses
 
     
 

 

A expansão da oferta de crédito, acompanhada de juros menores e prazos longos de pagamento, está sendo determinante para que a atividade automotiva quebre, mês após mês, recordes de produção e vendas internas nos últimos 18 meses. São números surpreendentes, que têm exigido de toda a cadeia produtiva esforço singular para atender à demanda por veículos leves e pesados. Tudo leva a crer que o setor fechará este ano com produção de 3,5 milhões de unidades, ou seja, no limite atual da capacidade instalada.
A realidade tem colocado à prova a capacidade das empresas reagirem, adotando uma série de medidas necessárias para impedir que este processo virtuoso seja interrompido por falta de produção. Trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, virou regra para a maioria das empresas. Mas é praticamente impossível operar neste ritmo de produção por longo tempo sem comprometer os resultados produtivos e qualitativos.
A saída tem sido investir no aumento do volume de produção, mas incorporando equipamentos e tecnologias modernas para ganhar em competitividade. É isto que revela estudo recentemente realizado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, Sindipeças, com suporte da Booz & Company (novo nome da Booz Allen), empresa de consultoria de São Paulo.
O trabalho revelou que 82% das empresas ouvidas – e que representam 50% do faturamento do setor – têm investimentos em andamento ou irão consolidar. O volume estimado é de R$ 3 bilhões nos próximos 12 meses. “Dos 12 subgrupos de atividades da indústria de autopeças, nove operam acima de 85% da capacidade instalada”, afirma Flávio Del Soldato, conselheiro do Sindipeças, evitando citar nomes. Mas assegura que afora situações muito localizadas e decorrentes de situações extraordinárias, não há, até o momento, possibilidade de a indústria montadora interromper produção por falta de componentes.
Com um cenário desta natureza, as chances de ocorrerem problemas com a qualidade aumentam, na medida em que sobra pouco tempo para a manutenção dos equipamentos, além da fadiga dos trabalhadores, decorrência da grande carga extra de atividades. Del Soldato observa que o custo com não-qualidade no setor de autopeças representa atualmente 1,9% do faturamento, estimado em R$ 80 bilhões neste ano. “É algo como R$ 1,5 bilhão em perdas por conta de problemas com não-qualidade. Com as margens apertadas que temos é algo sobre o qual se precisa trabalhar urgentemente”, projeta.
O conselheiro do Sindipeças defende que este é o momento ideal para o setor investir no aprimoramento da qualidade de sua produção. Como o empresário precisa adquirir equipamentos para aumentar a capacidade de fabricação, destaca que a busca deve ser por tecnologias modernas, que elevem os níveis competitivos da empresa. “Reconhecemos que temos defasagens tecnológicas em relação aos fabricantes do primeiro mundo, mas o empresário brasileiro está consciente de que precisa mudar esta condição. E um momento como o atual é ideal para a tomada destas decisões. A inovação precisa fazer parte deste pacote de investimentos”.
Acrescenta também que o setor está confiante na continuidade deste momento, apesar das projeções de redução dos níveis de incremento a partir deste segundo semestre, o que ele considera até salutar. Tanto que boa parte dos empresários do setor já investiu para atender a demanda atual. Na sua visão o vôo a ser realizado não é mais aquele de galinha. “Temos todas as condições de continuar crescendo na média de 6% a 7% anuais, o que nos levará ao patamar de 5 milhões de unidades automotivas em 2013. Mas todos precisam se preparar para chegar lá em condições de atender as demandas internas e externas.”


 
     
 
5 milhões de veículos serão produzidos até 2012
 
     
 

As montadoras instaladas no Brasil devem consolidar no período de 2006-2012 investimentos na casa de US$ 20 bilhões, elevando a capacidade de produção para perto de 5,2 milhões de unidades. Só em 2008 devem ser aplicados US$ 4,9 bilhões, garantindo volumes de 3,85 milhões de veículos, e de 4 milhões em 2009.
Na avaliação do presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider, esta política têm permitido a superação de eventuais problemas, que são pontuais e até naturais num mercado interno que cresceu 28% em 2007 em relação a 2006 (2,46 milhões de veículos comercializados diante de 1,93 milhão de unidades). A produção seguiu situação similar, crescendo 14% para perto de 3 milhões de unidades. Já neste ano, até maio, o índice de crescimento da produção é da ordem de 21%, aproximando-se de 1,4 milhões de unidades.
Particularmente no segmento de caminhões a produção cresceu 29% no ano passado na comparação com 2006 (136,7 mil diante 106 mil). Até maio de 2008 a expansão da produção é de 28%, superando 64 mil unidades. Em chassis de ônibus a produção cresceu 15% em 2007 e 19% até maio deste ano, atingindo perto de 19 mil unidades.
Para sustentar os índices de crescimento, Schneider destaca que a Anfavea e o Sindipeças têm mantido diálogo permanente e construtivo. Cita como exemplos recentes desta conjugação de esforços a nova política industrial anunciada pelo governo brasileiro e o acordo automotivo firmado entre Brasil e Argentina, que contou com estudos e subsídios de ambas as entidades. “O diálogo é contínuo e pró-ativo. Os dois segmentos devem caminhar juntos.”
Sobre a questão de pedidos de reajustes de preços por parte dos fornecedores, o dirigente da Anfavea pondera tratar-se de item que integra a negociação comercial da longa cadeia automotiva, dos insumos básicos ao produto acabado. Para ele, o setor automotivo é maduro para trabalhar essas questões, sabendo-se da acirrada concorrência entre os fabricantes finais e na cadeia de autopeças e demais insumos. “Esse tema é tratado individualmente entre os atores da cadeia, sem interferência das entidades, que não têm esse assunto como escopo e, aliás, nem poderia tê-lo, por tratar-se de matéria comercial e que diz respeito à livre concorrência.”

 
     
 

 
     
 

 

 
 
     
 
Página Inicial  
Próxima
 
     
 
Envie esta notícia para um amigo